Arnaldo Antunes
Composição: Edgard Scandurra / Arnaldo Antunes
"o nome disso é mundo
o nome disso é terra
o nome disso é globo
o nome disso é esfera
o nome disso é azul
o nome disso é bola
o nome disso é hemisfério
o nome disso é planeta
o nome disso é lugar
o nome disso é imagem
o nome disso é arábia saudita
o nome disso é austrália
o nome disso é brasil
como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso?
o nome disso é rotação
o nome disso é movimento
o nome disso é representação
the word for what this is is namethe name of this
é isso o nome disso is placeel nombre of name spaceel nombre do nome esfera
o nome disso é idéia
o nome disso é chão
o nome disso é aldeia
o nome disso é isso
o nome disso é aqui
o nome disso é sudão
o nome disso é africa
nome disso é continente
o nome disso é mundo
o nome disso é tudo
o nome disso é velocidade
o nome disso é itália
o nome disso é equador
o nome disso é coisa
o nome disso é objeto
como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso? como é que chama o nome disso?"
- O mundo quando "se construiu" se deu algum nome?;
- Por que sempre temos essa necessidade de denominar as coisas no mundo (olha a "coisa" presente aqui de novo!!)?;
- Por que não nos conformamos em deixar as coisas como são, sem nome, a princípio?
Sempre estamos em busca de repostas às dúvidas. Claro, nada mais natural num organismo em constante comunicação interna e externa - e assim, vice-versa. Ao mesmo tempo, sem distinção e sem hierarquia nos processos comunicativos. E nada mais natural também do que querermos denominar o que fazemos enquanto dança: dança contemporânea, dança pós-moderna, dança moderna-contemporânea, 'não dança', 'dança do nada', dança perfomativa, dança performática, dança performance, performance na dança... enfim...
Mas também não está se afirmando aqui que tudo seja farinha do mesmo saco, apenas se dando várias denominações para uma mesma performatividade desses corpos que estão dançando-coreografando, ou criando-interpretando, performatizando, etc, etc, etc... e por aí vai a lista de dúvidas que se transformam em vários estados transitórios de dúvidas... e a cada nova dúvida, uma nova denominação... ou é a cada certeza uma nova denominação??
Ou seria, a cada nova certeza do que se está fazendo se cria uma nova denominação???
Bem, ou não se sabe de nada do que se está fazendo ou se está fazendo várias coisas (hipóteses!!).
Acredito na segunda (...)
Estão sendo criandas várias "coisas/danças" pois as portas para a dança estão sendo abertas. Talvez até sendo derrubandas as paredes do que até a pouco tempo se denominava de dança, ou que se queria apenas ter como uma idéia sobre dança.
O nosso apego às certezas e às convicções, passadas de geração para geração, de mestres para mestres, de técnicas para técnicas... As paredes estão caindo, mais para alguns espaços, regiões, lugares, territórios, escolas, academias, grupos, companhias, artistas, etc (ainda não é a hora de conversarmos sobre espaços/território/lugar, etc.), do que para outros...
Quem é muito apegado aos títulos, e no caso da dança, às definições de tipos, e técnicas, e mestres, e nomes, e expressões, e certezas absolutas, tem encontrado grandes dificuldades em reestabelecer novos paradigmas para reelaborar suas denominações.
Mas........... mas o momento FELIZMENTE não está para denominações, e sim para as percepções, para as observações e as possibilidades de diálogos entre dança, corpo, técnicas, espaços, coreografia, criadores-intérpretes, difusão, etc... acredito que principalmente para as novas possibilidades de criações, nessas relações entre obra e público (outra parede que ainda resiste a cair...).
Como "chama o nome disso" tudo acima?? Deve ser ARTE E DANÇA CONTEMPORÂNEA...
!!! DANÇA = ARTE !!!
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